sábado, 17 de abril de 2010

No fim da linha...



Esta é a nossa triste e preocupante realidade, pessoas que não conseguem encontrar um rumo na vida, ou que ela própria nos fizesse entraves a que conseguíssemos dar o seu rumo. Quem caminha numa estrada sem sentido de encontro a um precipício, a que por vezes cai-se na fatalidade de cometer a forma mais trágica de colocar o termo à sua vida.

Tudo isto acontece e nunca ou por pouco nos apercebemos dos sinais, pequenos sinais que podem ajudar uma pessoa a encontrar o seu rumo, a si própria e incentivar de que a vida é o maior bem que podemos ter adquirido, mesmo que envolto em problemas a maior ajuda e apoio que uma pessoa pode sentir num momento frágil como este, é de uma preponderância infindável, assim é que nós não devemos preconceituosamente evitar de falar, compreender e tentar encaminhar estas pessoas, que se confrontam por tudo isto.

Esta é a maior dor que se pode sentir, e toda a dedicação e apoio será fundamental para salvar uma vida, e a maior gratificação que podemos receber é sentir que o fizemos e concretizamos o nosso dever.




Porque alguém tenta o suicídio?

Normalmente o suicídio é equacionado como forma de acabar com uma dor emocional insuportável causada por variadíssimos problemas. É frequentemente considerado como um grito de pedido de ajuda. Alguém que tenta o suicídio está tão aflito que é incapaz de ver que tem outras opções: podemos ajudar prevenindo uma tragédia se tentarmos entender como essa pessoa se sente e ajudá-la na procura de outras opções e soluções. Os suicidas sentem-se com frequência terrivelmente isolados; devido à sua angústia, não conseguem pensar em alguém que os ajude a ultrapassar este isolamento.

Na maioria dos casos quem tenta o suicídio escolheria outra forma de solucionar os seus problemas se não se encontrasse numa tal angústia que o incapacita de avaliar as suas opções objectivamente. A maioria das pessoas que opta pelo suicídio dá sinais de esperança de serem salvas, porque a sua intenção é parar a sua dor e não por termo à sua vida. A este facto dá-se o nome de ambivalência.



Os suicidas são loucos?

Não, ter pensamentos suicidas não implica ser-se “louco”, nem necessariamente ser doente mental. As pessoas que tentam o suicídio estão seriamente afligidas e deprimidas. Esta depressão pode ser reactiva, situação que é perfeitamente normal em circunstâncias difíceis, ou pode ser uma depressão endógena que é o resultado de uma doença mental diagnosticável com outras causas subjacentes. Também pode ser uma combinação das duas.

A questão da doença mental é difícil porque ambos os tipos de depressão podem ter sintomas e efeitos semelhantes. Além do mais, a definição exacta de depressão como doença mental diagnosticável (ex. depressão clínica) tende a ter diferentes matizes, assim o facto da pessoa que se sente afligida o suficiente para tentar o suicídio ser diagnosticada como sofrendo de depressão clínica pode variar de pessoa para pessoa e entre culturas.

É provavelmente mais útil distinguir entre estes dois tipos de depressão e tratá-los adequadamente do que tentar diagnosticar a depressão como forma de doença mental, mesmo que os sintomas apresentados pela depressão reactiva correspondam aos critérios da depressão clínica. Por exemplo, Appleby e Condonis escreveram:

"Pensamentos e actos suicidas podem ser o resultado de tensões e perdas com as quais não se consegue lidar.

Numa sociedade onde o estigma e ignorância acerca da doença mental é significativo, a pessoa que experimenta comportamentos suicidários pode temer que os outros a considerem "louca" se revelarem os seus sentimentos, tornando-se relutantes em pedir ajuda durante a crise que atravessam. De qualquer forma, descrever alguém como "louco", com fortes conotações negativas, não é, provavelmente, útil e o mais provável é dissuadir alguém de procurar ajuda o que se pode revelar bastante benéfico, independentemente de ser diagnosticada doença mental ou não.

As pessoas que sofrem de uma doença mental tal como a esquizofrenia ou depressão clínica têm índices significativamente mais altos de suicídio, embora sejam ainda uma minoria dos que tentam tal acto. Para estas pessoas, ter a sua doença correctamente diagnosticada, com um tratamento apropriado, pode ser uma forma de impedir o acto de suicídio."



Falar sobre suicídio não encoraja o acto?

Depende dos aspectos que se aborda na conversa. Falar sobre os sentimentos que cercam o suicídio pode levar ao entendimento e reduzir grandemente a angústia imediata de uma pessoa suicida. Não é um erro perguntar-se a alguém se equaciona a ideia de suicídio como uma opção válida se suspeita que essa pessoa não está a conseguir lidar com o seu tormento. Se a pessoa o confessa, pode ser um grande alívio ver que outra pessoa tem uma ideia de como se sente.

Esta pode ser uma pergunta difícil, pelo que aqui se deixam algumas abordagens possíveis:

"Nesse teu sofrimento, estarás a considerar o suicídio?"
"Parece-me muita coisa para ser suportada; pensaste no suicídio como forma de fuga?"
"Toda a dor que sentes fez alguma vez pensar em magoares-te?"
"Alguma vez pensaste em deixar tudo?"

O modo mais apropriado de abordar o assunto difere de acordo com a situação, e com a confiança entre as pessoas envolvidas. É, também, importante ter em consideração a totalidade da resposta dada pois a pessoa angustiada tende a dizer "não", mesmo que queira dizer "sim". A pessoa que não se sente atraída pelo comportamento suicidário é, normalmente, capaz de transmitir um “não” seguro prosseguindo a conversa apresentando os motivos que a levam a querer viver. Também pode ser útil perguntar-lhe o que faria se estivesse a considerar, seriamente, cometer suicídio, para o caso de, futuramente, apresentar comportamentos suicidários ou caso os tenha e não se sinta à vontade para os revelar.

Falar exclusivamente sobre formas de como cometer suicídio pode dar ideias às pessoas que tenham comportamentos suicidários, mas que ainda não pensaram em como os concretizar. Os relatos de imprensa que se concentram unicamente nos métodos usados e ignoram o panorama emotivo que está por detrás do acto podem tender a encorajar à imitação de métodos suicidas.

Então que tipo de factores pode contribuir para alguém ter pensamentos suicidários?
Normalmente consegue-se lidar razoavelmente bem com problemas de stress e isolamento ou acontecimentos e experiências traumáticas, mas quando há uma acumulação de tais acontecimentos a capacidade de lidar com tais situações é levada ao limite.

A tensão ou trauma gerado por um dado acontecimento variará de pessoa para pessoa dependendo da sua experiência e de como lida com esse trauma em particular. Umas pessoas são mais ou menos vulneráveis a acontecimentos particulares de trauma, e outras podem considerar determinados acontecimentos como traumáticos que outros verão como uma experiência positiva. Além do mais, cada indivíduo lida com a tensão e o trauma de formas diferentes; a presença de múltiplos factores de risco não implica necessariamente que uma pessoa cometa o suicídio.

Dependendo da resposta individual da pessoa, os factores de risco que podem contribuir para o comportamento suicidário são:

Psicopatológicos
1. Depressão endógena, esquizofrenia, alcoolismo, toxicodependência e distúrbios de personalidade;
2. Modelos suicidários: familiares, pares sociais, histórias de ficção e/ou notícias veiculadas pelos média;
3. Comportamentos suicidários prévios;
4. Ameaça ou ideação suicida com plano elaborado;
5. Distúrbios alimentares (bulimia).

Pessoais
1. Ter entre 15 e 24 anos ou mais de 45;
2. Pertencer ao sexo masculino e raça branca;
3. Morte do cônjuge ou de amigos íntimos;
4. Escolaridade elevada;
5. Presença de doenças de prognóstico reservado (HIV, cancro etc.);
6. Hospitalizações frequentes, psiquiátricas ou não;
7. Família actual desagregada: por separação, divórcio ou viuvez.

Psicológicos
1. Ausência de projectos de vida;
2. Desesperança contínua e acentuada;
3. Culpabilidade elevada por actos praticados ou experiências passadas;
4. Perdas precoces de figuras significantes (pais, irmãos, cônjuge, filhos);
5. Ausência de crenças religiosas.

Sociais
1. Habitar em meio urbano;
2. Ser rural ao sul do Tejo;
3. Desemprego;
4. Mudança de residência;
5. Emigração;
6. Falta de apoio familiar e/ou social;
7. Reforma;
8. Acesso fácil a agentes letais, tais como armas de fogo ou pesticidas;
9. Estar preso.



Como saberei se alguém com quem me preocupo tem pensamentos suicidários?

É frequente as pessoas com comportamentos suicidários darem sinais de alarme, consciente ou inconscientemente, esses sinais que indicam a necessidade de ajuda e a esperança de poderem ser salvas. Estes sinais aparecem usualmente agrupados e geralmente são bastante perceptíveis. A presença de um ou mais destes sinais não é uma garantia de que a pessoa pretende cometer o suicídio: a única forma de ter a certeza é perguntando. Noutros casos, o suicida pode não querer ser salvo, e pode evitar dar sinais de alarme.

Alguns sinais de alarme que frequentemente são exibidos pelas pessoas que têm a intenção de cometer suicídio são:

• Afastar-se dos amigos e da família.
• Depressão, de uma maneira geral; não necessariamente a presença de uma doença mental diagnosticável, tal como a depressão clínica, mas indicada por sinais tais como:
• Dor psicológica intolerável (por falta das necessidades psicológicas elementares);
• Perda da auto-estima (com incapacidade para aguentar a dor psicológica);
• Constrição da mente (menos horizontes e menos tarefas);
• Isolamento (sensação de vazios e de falta de amparo);
• Desesperança (sensação de nada valer a pena);
• Egressão (fuga como única solução para acabar com a dor intolerável);

Esta lista não é definitiva: algumas pessoas podem não mostrar sinais e ainda assim terem ideias de suicídio, outros podem mostrar vários sinais mas enfrentarem bem as situações; a única forma de saber com certeza é perguntando. Em conjunção com os factores de risco acima listados, esta lista pretende ajudar na identificação daqueles que podem ter necessidade de apoio.
Se uma pessoa se encontra fortemente perturbada, imaginou um plano potencialmente letal para cometer suicídio e tem formas ou meios disponíveis de o executar imediatamente, é considerado como um forte potencial suicida, isto é, em elevado risco.



Sinto-me pouco à vontade com o assunto. Como lidar com a situação?

O suicídio era, tradicionalmente, um tema de tabu nas sociedades ocidentais, que levou ao seu encobrimento só piorando o problema. Mesmo após as suas mortes, as vítimas de suicídio não eram enterradas próximo das outras nos cemitérios, como se tivessem cometido um pecado.

Podemos dar grandes passos no contributo para a redução das taxas de suicídio começando por aceitar as pessoas tal como elas são, acabando com os tabus sociais falando sobre as ideias de suicídio, e dizendo às pessoas que é legítimo equacionarem o suicídio quando se sentem no limite. Só o facto de falarem sobre o que sentem ajuda a reduzir a sua angústia, começando a ver outras opções e reduzindo as probabilidades de tentativa de suicídio.



Se acha que é um potencial suicida

Existem pessoas a quem um suicida pode recorrer para pedir ajuda; se sabe de alguém com comportamentos suicidários, ou se se sente um potencial suicida, procure quem possa prestar ajuda não desistindo nunca antes de alguém o ouvir. Uma vez mais, a única forma de saber se alguém tem comportamentos suicidários é perguntando e analisando a sua resposta. Consulte a página de Telefones SOS aqui.

Os suicidas, como todas as restantes pessoas, necessitam de amor, compreensão e apoio. Por norma, mas erradamente não se pergunta de forma directa "Sentes-te tão mal que já pensaste no suicídio?". Afastarem-se dos outros aumenta o isolamento que sentem e a probabilidade de tentativa de suicídio. Perguntar se pensam em comportamentos suicidários tem, como efeito, permitir o direito a sentirem tais ideias, reduzindo o seu isolamento; se têm comportamentos suicidários, verificam que outras as pessoas entendem a forma como se sentem, que compreendem os seus sentimentos e a sua dor psicológica.

Se alguém que conhece lhe diz que tem intenção de cometer suicídio, acima de tudo, escute-o. Depois escute mais. Diga-lhe "eu não quero que morras". Esteja disponível para ouvir os seus sentimentos, e tente estabelecer um "pacto de não-suicídio": peça-lhe que prometa que não vai cometer suicídio, e que quando sentir que tem vontade de se magoar que não faça nada sem antes falar consigo ou com alguém que o possa apoiar. Leve-os a sério, e fale deles a alguém com habilitações para os ajudar, tal como um médico, no Centro de Saúde da comunidade, a um Psicólogo, a uma assistente social, etc. Se apresentarem fortes indícios suicidas e falarem consigo poderá necessitar de os levar a um departamento de emergência hospitalar. Clique aqui para obter a listagem dos departamentos de psiquiatria e consultas especializadas em Portugal.

Não tente "salvá-los" nem transpor para si as suas responsabilidades, nem tente ser herói tentando resolver a situação por conta própria. Pode prestar uma ajuda mais preciosa referindo estes casos a quem está habilitado a proporcionar-lhes a ajuda de que necessitam, podendo continuar a prestar-lhes o seu apoio e lembrando-lhes que o que lhes acontecer é inteiramente da responsabilidade deles. Procure, também, algum apoio para si ao tentar obter apoio para eles; não tente salvar o mundo sozinho.

Se não sabe para onde se virar, há sempre uma linha telefónica anónima ou o Número Nacional de Socorro 112 que funciona 24 horas por dia com pessoal habilitado na prevenção do suicídio que poderá ajudá-lo. Consulte a página de Telefones SOS aqui.



Conversar, conversar, conversar. Como pode uma conversa ajudar?

Embora não sendo solução, perguntar a alguém e fazê-lo falar sobre o que sente atenua significativamente os seus sentimentos de isolamento e angústia, reduzindo, assim, o risco imediato de tentativa de suicídio. Quem se interessa pode ter relutância em falar sobre o suicídio por ser um assunto tabu.

É importante procurar ajuda para a resolução dos problemas, o quanto mais rápido melhor; sejam eles emotivos ou psicológicos. Quem já tentou o suicídio corre o risco de o voltar a tentar, pelo que é importante o tratamento de sequelas antigas, com a ajuda de profissionais médicos ou apoio.

Alguns assuntos poderão nunca ser completamente resolvidos com o apoio, mas um psicoterapeuta poderá ajudar a lidar pela positiva com os problemas presentes e ensinar a desenvolver métodos e estratégias para lidar com problemas futuros.



Como funcionam os serviços de apoio telefónico?

Os serviços de atendimento telefónico variam entre si, mas na sua generalidade garantem o anonimato e oferecem a possibilidade de falar sobre o problema do suicídio com voluntários escutantes, sem a pressão de uma conversa face-a-face.

Falar sobre o problema com alguém desconhecido que se interessa pode ser um grande auxílio em situações de crise ou se preocupa com alguém que se encontra nesta situação. Os voluntários escutantes estão habilitados e podem dar indicações acerca dos locais especializados onde poderá dirigir-se para obter a ajuda ou tratamento específico. Não tem que esperar até que a crise se agudize ou até que haja uma tentativa real de suicídio para procurar este tipo de serviços.

A procura deste tipo de apoios telefónicos varia, por isso é importante que se não conseguir falar com um tente outro e outro até conseguir o que pretende. Normalmente conseguirá à primeira obter ajuda, mas não desista pois é uma vida que está em jogo.

Muitos suicidas não imaginam que a ajuda pode estar tão perto, ou não lhes ocorre ligar para o apoio porque a sua angústia é de tal forma elevada que lhes tolda a visão desta opção.



E eu, corro este risco?

É bem possível que algumas pessoas que lêem isto poderão, um dia, tentar o suicídio, eis, então, um exercício rápido de prevenção de suicídio: elabore uma lista de 5 pessoas com quem poderá conversar quando se encontrar em situação de desespero colocando a pessoa preferida no topo da lista. Elabore um “pacto de não-suicídio! Consigo próprio prometendo que se alguma vez estiver em risco de cometer suicídio procurará cada uma das pessoas mencionadas na sua lista e falar-lhes-á do que está a sentir; e que se alguém não o ouvir continuará a falar com os restantes até que haja alguém que o ouça. Muitas pessoas que tentam o suicídio encontram-se em situação de desespero tal que não conseguem, no meio da crise, encontrar alguém a quem procurar ajuda, pensar antecipadamente num leque de pessoas próximas que podem ouvir e proporcionar essa ajuda é uma vantagem em futuras situações de angústia.



Como o suicídio afecta amigos e familiares?

O suicídio é sempre uma experiência extremamente traumática para os amigos e familiares, mesmo que quem tente o suicídio pense que ninguém se preocupa com elas.

Além dos sentimentos de mágoa normalmente associados com a morte da pessoa, podem existir sentimentos de culpa, cólera, ressentimento, remorso, dúvidas e grande angústia acerca de situações não esclarecidas. O estigma que cerca o suicídio pode fazer com que seja extremamente difícil para os que sobrevivem lidar com a sua mágoa podendo-lhes causar, também, situações de isolamento extremo.

É frequente acharem que são tratados de forma diferente após o suicídio e um familiar ou amigo tornando-se-lhes difícil falar sobre o problema devido ao estigma da condenação. Normalmente sentem que fracassaram por alguém que tanto amavam ter optado pelo suicídio, e a construção de novos relacionamentos é extremamente difícil devido à dor que sentem.

Os familiares ou amigos de vitimas de suicídio podem procurar ajuda nos "grupos de sobrevivência", onde encontrarão pessoas com os mesmos problemas e experiências semelhantes à sua, onde não correm o risco de serem julgados e ou condenados. Os “grupos de sobrevivência”, o apoio poderá ser um enorme auxílio no aliviar de um imenso fardo que o suicídio sempre acarreta.

O grupo de sobrevivência "A nossa âncora", presta apoio a pais e irmãos em luto e seus familiares através de auxílio psicológico, sociológico, médico, psiquiátrico, religioso, jurídico e promover iniciativas que possam concorrer para a plena realização dos seus objectivos. Ver "Ajuda / Telefones



O suicídio é ilegal?

Isso não impede as pessoas de o cometerem? O facto de ser ilegal ou não, não possui qualquer importância para quem está tão desesperado que equaciona a própria morte. Não é possível legislar sobre a dor pelo que tornar o suicídio ilegal não impede que quem esteja desesperado tenha sentimentos suicidas ou atente contra a sua própria vida. O facto de ser um acto ilegal só poderia deixar mais isolado quem o equaciona, já que a maioria das tentativas de suicídio são mal sucedidas, deixando assim quem o tenta numa posição ainda pior sendo agora considerados também criminosos. Em alguns países o suicídio é considerado um acto ilegal e noutros não o é.
Em Portugal, o "incitamento ou ajuda ao suicídio" e "propaganda do suicídio" é considerado crime. Até 1961, o suicídio era considerado crime em Inglaterra.



As pessoas têm o direito de se matar?

Sim, e deverá sempre ser uma escolha da sua responsabilidade. No entanto, ajudar alguém a lidar melhor com os problemas, ver as opções com maior clareza, ajudá-las a fazerem a melhor escolha evitando algo que lamentariam, reforça os direitos de alguém, não lhos retirando.

Lembre-se de uma regra importante: realçar, sempre, o facto de o suicídio constituir uma solução permanente para um problema temporário, lembrando a pessoa de que existe ajuda e que os seus problemas e a sua dor irá melhorar.



O suicídio é pecado?

Para o Direito Canónico e para o Novo Catecismo é pecado. "Somos administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela".

Concílio de Arles (452) – suicídio como o maior dos pecados.
Concílio de Orleães (533) – proibição de funeral religioso para os suicidas.
Concílio de Braga (561) – ausência de ritos funerários se o suicida na posse de si mesmo.

Concílio de Toledo (693) – excomunhão de suicida frustrado.
Sínodo de Nimes (1284) – reforço das restrições nos funerais de suicidas.
Papa Bento XV (1918) – ritos funerários se suicidas loucos ou arrependidos à hora da morte.

http://www.spsuicidologia.pt/

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Relacionando as coisas...


Por vezes olhamos o mundo a uma distancia surpreendente, mas, e a que distancia! É mesmo isso, esta distância que nos separa, mantemo-nos assim para nos resguardar, manter o nosso espaço e assim revela que no nosso canto pouco nada façamos para existir uma maior proximidade entre todos, assim é que se nota toda esta distância entre todos nós.

Ver o mundo à sua distância dá-nos todas as perspectivas, os pormenores que num todo podemos ler, mas, não é isto tudo, temos também nos deixar envolver pelas coisas, como se assim penetrássemos e pudéssemos ler as coisas mais emocionalmente, assim um pouco nos falta isto, a presença que podemos ter no quadro que se pode apresentar e não ficarmos com normais observadores.

Vivemos numa frieza aos nossos dias, bem dizemos que o clima está sofrendo as suas transformações, não é só aí! As relações humanas estão acompanhar tudo isso e também não temos soluções para poder reverter tudo isso, assim existe o descuro que damos a estas mesmas relações, não fazendo nada para mudar, vai-se criando assim uma poluição nebulosa e que não é perceptível aos nossos olhos, mas está naquilo que respiramos, o nosso ar são as pessoas e as relações que criamos faz parte de todo o nosso clima, só que como quando respiramos fazemo-lo inconscientemente, assim é que as relações também o são assim, só que quando ficamos sem ar é que nos apercebemos do que realmente nos falta, e vivemos assim sufocados sem nada a que nos possa acudir, ao que pode além de salvar vidas pode assim transformar toda humanidade. Pode-se andar aqui com analogias e pretextos para podermos tentar explicar o problema das relações humanas hoje, mas, a realidade é mesmo esta, a distância, a frieza, o calculismo, desconfiança, tudo e muito mais sinónimos do que se pode fazer para destruir as relações.

As relações são isso mesmo, é forma de nos relacionarmos, de interagirmos com todos e consequentemente dispormos, com o que nos confrontamos, assim é que os relacionamentos são formas de nos interligarmos entre todos e sabermos que existe a forma de alguém a que nos cria a base de tudo, é isso os relacionamentos, a importância deles na nossa vida ou a sua falta. Por certo sabemos o que isto tem de importante mas cada vez mais se vai descurando assim até que se percam. E surgirá tempo para os reverter ao que era? Muito mais trabalho nos dará na certeza de que os estimássemos algo seria poupada para nós.

Para uma relação funcionar não é só vê-la pelo seu exterior, isto não nos faz nada estarmos dentro dela. Uma relação é aquilo que cultivamos e investimos nela própria, deixamos sempre algo de nós, é assim este envolvimento de que se faz as relações.

Mas teremos nós medo de perder o que investimos nelas? O que se investe creio que trará sempre retorno, no que acreditamos, que ali existe tudo para nela investir, mas por vezes cruzamos a perna e ficamos à espera que sejam os outros a dar tudo de si e tão pouco retribuímos, numa relação isto não dá, uma relação são duas ou mais partes que fazem dela própria ser o que é, dar e receber, assim se nota o quanto investimos e os ganhos que retiramos, mas só uma parte dar e não sentir que do outro lado existe resposta, desmoraliza, descrê-se, e perdemos a força de nela investir, mas nós não sabemos as riquezas que existem para além delas? Então maior que uma riqueza supérflua, não existe mais que as nossas relações, é uma riqueza de outros valores e isso ninguém nos tira! Ou melhor, a cada vez se vai tirando algo até não existirem e assim, confinaremos à nossa pobreza.

Estamos a ficar cada vez mais empobrecidos, sabemos que o trabalho gera riqueza e nas relações isto também é um exemplo, todas assim criam o trabalho que é exigido, mas, o que retiramos delas não é o maior contributo que se pode ter?

O ser humano tem a maior característica de se poder relacionar e criar laços que são de uma essência maior à nossa natureza e isto é uma coisa que não se pode perder, mas muito, por vezes, fazemos a que elas cada vez menos vão existindo, e chegamos ao fim de que, para, de certo reconstruir já não nos sobra muita margem de manobra.

Já alguma vez observamos uma árvore e vemos como os seus braços se cruzam e interligam? Isto mesmo é as nossas relações e a nossa natureza tem muitos exemplos disso, e mais que assim nos dão o maiores frutos para podermos colher, se no nosso cuidado o soubermos fazer e não deixar cair e apodrecer na própria terra até desaparecer…

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Em busca da felicidade


Todos nós procuramos a felicidade, é uma busca a que faz parte da nossa vida e isto será para nós o mais importante, pois a nossa vida é nos merecida para assim vivermos felizes, e além de um objectivo e de uma conquista, isto é um caminho que se faz e devemos assim vivê-la na sua plenitude, quer-se dizer que sabemos desfrutar da própria felicidade.

Mas por muitas vezes todos nós vivemos infelizes na busca dela própria, não conseguimos ver numa coisa não tão extrema pode estar um pequeno pico de felicidade, ela pode estar nas pequenas coisas, mas não é uma coisa plena. Para a termos, teremos assim de a conquistar e saber vivê-la, ela não é dada, ou assim nos é permitida se soubermos fazer por ela aquilo que desejamos para nós, assim é que todos nós desejamos ser felizes, e que de quem gostamos a tenham para viver e assim o sentimos quando vemos os outros felizes, sentimo-nos então também, retribuídos sabendo que os nossos desejos são o concretizar de um bem que achamos que os outros merecem e é nos oferecida a felicidade dos outros, nos faz a nossa própria felicidade.

Somos os únicos seres que podemos experimentar a felicidade, o que sentimos é uma forte característica do ser humano, é o que dá o objectivo de viver e isto dá-nos a nossa essência de vida. É própria felicidade e sermos felizes que nos gratifica por inteiro e nós sabemos que isto nos compensa de outros momentos mais negativos e nos faz com que não nos deixemos cair em poços sem fundo, é isto que nos ancora à vida.

Perguntamo-nos frequentemente aonde mora essa felicidade, aonde a podemos encontrar e o que fazer para que seja constante e real na nossa vida, sabemos que para isso a sua conquista é e deve ser colocada na sua prática, ela não vem por si, não esperamos serenamente que sejamos felizes sem nada fazer, isto é como aos objectivos a que nos propomos, este é um deles, por mais que achemos que os conquistemos nunca é essa felicidade plena, somos seres insatisfeitos, pensamos que podemos alcançar sempre mais e mais, então é que isso pode ser de uma grandiosidade imensa e nunca é uma pequeníssima coisa, a felicidade é um sentimentos ao qual nos tentamos deleitar sobre ela, mas não, devemos assim erguer-nos e de frente abraçá-la, assim é que a bem recebemos e aceitamos a alegria de assim sermos.

Todos nós temos de contribuir para a nossa e a felicidade dos outros, sendo assim que é isto que faz que ela seja uma coisa presente e se torne num mundo mais sadio e nos faça viver na completa e imenso positivismo a que é necessário viver.

Sermos felizes é sentirmo-nos preenchidos e auto-realizados, isso é a parte do nosso caminho como assim é acompanhado pelos momentos felicidade, podendo extremar por vagos momentos, mas nunca é aquilo que desejamos, uma felicidade linear, vale então tentar fazer por isso a que andemos por extremos picos, que não, conseguimos uma moderação a que nos faça desfrutar da sua calma que sendo necessária para o melhor proveito dela podermos tirar.

É isto a nossa razão e o que nos faz viver, retira-nos dos momentos mais complexos da nossa vida e faz-nos ver que vida sem a felicidade vida não se chamará, assim é que lhe podemos chamar o luto por qual morreu o que o significado lhe dá, a própria felicidade é a razão de viver…

"Quando estiveres cansado de olhar uma flor, uma criança, uma pedra, quando estiveres cansado ou distraído de ouvir um pássaro explicar o seu ser, quando te não intrigar o existirem coisas e numa noite de céu limpo nenhuma estrela te dirigir a palavra, quando estiveres farto de saberes que existes e não saberes que existes, quando não reparares que nunca reparaste no azul do mar, quando estiveres farto de querer saber o que nunca saberás, se nunca o amanhecer amanheceu em ti ou já não, se nunca amaste a luz e só o que ela ilumina, se nunca nasceste por ti e não apenas pelos que te fizeram nascer, se nunca soubeste que existias com esse existir, quando, se, porque temes então a morte, se já estás morto?"


Vergílio Ferreira, Pensar

Que sejamos e façamos por não perder a nossa felicidade!





terça-feira, 13 de abril de 2010

Temos de nos lembrar, para não esquecer!


Muitas vezes esta memória não nos perdoa, bem tentamos, não esquecer das coisas e começamos a brigar para dentro de nós próprios de que isso não pode acontecer e por vezes no momento exacto, puff! Foi-se! De que valia estar ruminantemente a tentar fazer isso, pouco de nada, vem o esquecimento e tudo apaga, tal como interruptor nosso disparasse, numa falha do nosso quadro geral. Temos de ter o cuidado para não originar um curto-circuito! :)

Sabemos tudo o que processamos e toda a imensidão de pensamentos que nos passam memória e assim notamos o qual é dificultoso assim podermos nos recordar de tudo e ter a maior clarividência mental.

Bem gostaríamos de, ou, por vezes nos esquecer das coisas, mas isto não se apaga, parece que vivemos aquilo que não desejamos, esquecer o que está a mais e (não temos uma tecla para fazer um reset, somos humanos, não máquinas!) e ter uma memória bastante sadia não se o revela, nunca sabemos bem o que fazer com isto.

Assim, muitos pensam quando surge um esquecimento que deve ser senil, claro que andamos todos, já nascemos assim, muito natural, desde que não em exagero, não devemos assim pensar que não existe memórias que nunca falham, mas nós já somos uma falha da própria natureza, logo assim a perfeição pode morar nosso pensamento e no que achamos mas nunca é visto aos nossos olhos. Mesmo existindo essa palavra vivemos na nossa imperfeição, o que temos de fazer, é para sermos lineares no nosso lembrar e esquecimentos. Seja o que for e pedimos para, que aconteça não nos esquecermos ou assim acontecer de nos esquecermos que seja feita a nossa vontade, e não seja prejudicativo, é disso que precisamos.

Vejamos isto como uma coisa natural, assim o é, por cada margem que andemos, que precisemos de nos lembrar ou não, é preciso é numa coerência mental conseguirmo-nos controlar e assim consequentemente, conseguimos extrair o que precisamos e a nossa memória está lá para isso mesmo, para guardar o que necessitamos e jogar fora pensamentos supérfluos, se houvesse isso bem estaríamos mais leves e conscientes do que realmente necessitamos.

Aqui fica o lembrete para não nos esquecermos, mas, o que nunca o podemos fazer é que esqueçamos de viver, isso é que é importante!

sábado, 10 de abril de 2010

Do fundo do baú...

O significado de um amigo




Disse um soldado ao seu comandante:
-"O meu amigo não voltou do campo de batalha. Meu comandante, solicito autorização para ir buscá-lo."
Respondeu o oficial:
-"Autorização negada!" "Não quero que você arrisque a vida por um homem que, provavelmente, está morto!"
O soldado ignorando a proibição saiu e uma hora mais tarde voltou mortalmente ferido, transportando o cadáver do seu amigo.
O oficial estava furioso:
-"Eu não lhe disse que ele estava morto?!"
-"Diga - me, valia a pena ir até lá para trazer um cadáver?"
E o soldado, moribundo, respondeu:
-"Claro que sim, meu comandante!
Quando o encontrei, ele ainda estava vivo e disse-me:
- Tinha a certeza que virias!"

"Um amigo é aquele que chega quando todos já se foram."
Amigos, o que significam estes para nós? Saberemos o que são? O que é afinal um verdadeirissímo amigo? Todos nós que os temos sabemos esse real significado, muitas pessoas ao que a vida não lhes os permitiu o ter assim ainda procurarão o que tanto fará parte de nós, os amigos, grandes e verdadeiros amigos.

Uma real amizade é como um casamento, tal, também não sabemos como termina, mas fazemos por muito a preservar, estimar, jurar a sua fidelidade, respeitar e muito fazer por eles, não é uma coisa única de nós, parte sempre das duas partes, do empenho a que se dedicam, do esforço e muito que dão á relação e isto também é uma fórmula, podendo existir um amor, diferente de muitos, mas um amor significativo de amizade, e esta grandiosa relação é feita disso, desse sentimento que podemos sentir por alguém.

Somos capazes de os reconhecer quando muito fazem por nós ou nós por alguém, do que se dedica, uma verdadeira amizade é quando sentimos que podemos contar com essa pessoa a cada momento, na sua distância estará sempre presente em nós e no esquecimento nunca cairá. Um verdadeiro amigo é a pessoa da maior importância na nossa vida e maior relatividade para nós, é a nossa maior base nos piores momentos, e quem mais podemos partilhar as nossas alegrias, é assim a pessoa com quem partilhamos a nossa vida, os segredos mais íntimos, coisas vãs, mas tudo o que faz parte de nós e essa pessoa é quem nos damos para oferecer algo e na troca receber também o que nos tem para dar, o que é deles, e neste clima gira a partilha que é o significado da amizade.

Não façamos confusões com colegas, amigos como lhe chamemos de ocasião ou distantes, são pessoas que podem fazer parte do nosso dia-a-dia mas não possuem a mesma profundidade de um verdadeiro.

A vida dá-nos no seu principio aquilo que achamos ser os nossos e muitos amigos, mas a seu tempo vamos conhecendo e desvendando essas pessoas, vamos reconhecendo-lhes as suas capacidades, vamos tornado-nos mais selectivos e primando-nos por nos rodear de poucos, bons amigos, a nossa capacidades de dar e retribuir a muitos torna-se de alguma dificuldade quando muito temos de dar e assim vamos restringindo o nosso ciclo.

Uma amizade verdadeira é composta de muitos sentimentos mútuos, de compaixão, empatia, cumplicidade, solidariedade, intimidade, preocupação, coisas que muito fazem parte desta relação como de muitas verdadeiras, é isto que cria aquilo que sentimos por alguém, quem faz parte de nós e da nossa vida, quem caminha a nosso lado como acompanhamos esse percurso e vemos o que é mais importante e de real valor à nossa vida, os nossos amigos, amigos de nós e amizade que dedicamos a alguém.

É nesta gentileza de que trocamos com alguém a quem a nossa maior estima de ver alguém que nos oferece a mão que podem dar e a felicidade que se pode partilhar que se vê a magia da amizade.

Momentos únicos, mágicos, recordações valiosas que trazemos em nós que faz a maior importância de tudo isto, é e se chama uma verdadeira amizade.

Isto é uma conquista, um trabalho de ambos, e por muitas pessoas que passam na nossa vida que nos dão, ensinam e muito aprendemos com eles, com isto se ganha muito, muito podemos retirar, partilhar e aí revelar-se uma grande amizade

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

Saint-Exupéry

A amizade é o maior bem que podemos ter neste mundo não sentimos o pior sentimento de estar sozinhos, não, seja na presença ou na ausência que de nós faz parte e está sempre marcando a sua presença e é a pulsação que nos faz viver e nos dá motivos a isso.

Exige-se trabalho em ser-se amigo, mas, ao sermos é a maior recompensa que nos é dada, revela-nos a sua importância extrema a que não conseguimos ficar indiferentes, vemos o que exige mas também nos dá o que assim queremos para nós. Bem dizemos, que de um amigo nunca esperamos nada em troca, mas, recebemos sempre algo que ele nos dá, e assim giramos neste ciclo de que o recebemos também muito lhes damos e é isto a partilha, o maior valor da amizade.

Eu não aprendi o que é a amizade na escola, não foi nos livros ou qualquer sitio vulgar, ela veio até mim, foi assim um amigo que me a ensinou, a vida permitiu a que eu descobrisse o que ela realmente é e estou grato por me ter dedicado isso a mim e fizesse ver a maior parte um membro que me é composto por aquilo do que mais importância é dela feita. A amizade assim é uma descoberta, pode começar em nós, seguindo-se uma partilha e passos dados a dois e de seguida um caminho que feito a lado de quem nos acompanha.

Amizade assim merece ser preservada, e dar o nosso maior valor, pois é tudo para nós.

...é a amizade que nos segura, e a alegria que nos levanta!


Nuno Lopes

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Somos aquilo que pensamos


Todos conhecemos esta expressão e a sua questão filosófica (De onde viemos? Para onde vamos?), ainda talvez procuremos as resposta e vai também a ela dissertar sobre as várias teorias, sabemos assim de onde viemos pelo nosso passado e o que cumprimos, onde vamos de encontro aos nossos objectivos a que nos propomos, então nesta linha reflecte tudo que faz parte do seguimento da vida.

No meio disto existe uma coisa em falta, quem somos nós e esse caminho é feito por nós, pelo que para ser uma verdade é necessário uma vida para realizar isso e assim dizer a sua significância, que tem nossa vida num universo global.

O que somos? É o que define o nosso caminho. Somos nós. Bem sabemos o que somos pela nossa personalidade até seremos capazes de responder a esta questão, reflectir e perspectivar as nossas coisas e o que somos nós é que assim conseguimos responder a estas questões; todos na nossa maneira diferente, pelas nossas visões, praticamos aquilo que nós somos, o nosso caminho e o mundo, é este o nosso percurso de vida. E para construir isso é necessária a nossa vida; única!

Mas também cabe a uma disciplina filosófica responder e encontrar respostas ao que nos questionamos e aquilo que nós somos, feitos na nossa matéria, na nossa individualidade, por compostos únicos, mas encontrados nas demais coisas, assim que deveremos estudar o que tudo isto significa; construir aquilo que…

De onde viemos, quem somos, para onde vamos?...

Então o que somos é aqui o centro da questão, o papel principal para dar vida a este caminho que percorremos, a sua figura central ao que nós somos reflecte a cada passo que compõe a caminhada que vamos dando a um andamento sempre mais objectivo de encontro ao que desejamos, mas isto pode ir de encontro ao que queremos ser, então que isto que é um caminho muito pessoal que nos vai enriquecendo a nossa pessoa e construindo o que somos assim na nossa plenitude.

Assim somos tudo, realisticamente falando, o que desejamos, conforme os nossos desejos podemos construir o nosso perfil de pessoa, o que queremos e como desejamos ser, por muitas características variáveis, o aspecto que lhe damos é a unicidade de nós próprios, assim somos nós.

Mas há momentos, nunca o pensaste?, há momentos em que tudo se nos abisma até à fadiga. O desânimo sem fundo. A vertigem para lá de qualquer significação. Nós somos o artifício de nós. Mas é aí que construímos a legitimação de se existir. Somos duplos do que somos e por baixo da camada que nos torna plausíveis há uma outra realidade que revela o plausível em ficção. O que somos não é. O que somos é o que resta depois de tudo se dissipar. O falso de nós é que é verdadeiro. Ou ao contrário, não sei.

Vergílio Ferreira, in Pensar

Somos aquilo que desejamos ser, do que fomos ao que iremos, o nosso presente faz-se daquilo que somos.