quarta-feira, 21 de abril de 2010

O ciúme, amigo ou inimigo da relação


Todos nós podemos experimentar este sentimento, quando moderado penso assim que pode sempre apimentar uma relação, assim que o é demonstrativo de que gostamos dessa pessoa e pelo medo de a perder se revele pelo ciúme, sinal de que se for bem doseado faz-nos valorizar, que o próprio fará parte da relação e que por ter de demonstrar o nosso desejo por quem amamos, faz nos ter de muito justificar os nossos sentimentos e razões por que desejamos aquele com quem convivemos, assim é que um pequeno ciumezinho de nada de mal fará parte das relações que temos, mas, também o teremos assim de doseá-lo, sinal de que saberemos conviver com ele.

Mas sabemos o excesso dele, e isto pode ser um motivo do fim de muitas relações, quando resvalando no exagero, tornando-se numa forma obsessiva de conviver com as pessoas, por meio deste ciúme que nos provoca sentimentos de desconfiança, a que a base da sua relação, já pode, assim estar minada da forma como a relação pode vir a sofrer de um fim marcado por isto.

Temos de saber dosear as coisas, sabemos dos problemas que isto pode trazer, mais que fim de relações pode provocar formas muito trágicas a que de quem revela isto, poderá por uma não consciência uniforme, por muitos meios prejudicar a outra pessoa, cometendo acto condenáveis e muitas vezes limitando vidas ou denegrindo a integridade da própria pessoa a que sofre de tudo isto.

Assim que casos destes se verifiquem, deveremos tentar actuar da forma a que as proporções, que por vezes possam tomar, não se desencadeie na forma mais drástica que por muitas vezes ocorre.

Pode existir o ciúme, mas mais que isso é importante a confiança que podemos depositar e isto é que modera este pequeno sentimento.

Muitos ciúmes haverão, tal como o ciúme de irmão, a que alguns experimentamos, e quando numa família se verifica isso por vezes é até um pouco difícil de se digerir.

O ciúme um sentimento que apresenta carácter instintivo e natural, marcado pelo medo (de base real ou irreal) de se perder o amor da pessoa amada ou ver diminuída a qualidade ou ameaçada a continuidade de uma relação tida pelo sujeito como valiosa. Está relacionado com a falta de confiança no outro ou em si próprio e, quando é exagerado, pode tornar-se patológico e transformar-se numa obsessão.

A explicação psicológica do ciúme pode ser uma persistência de mecanismos psicológicos infantis que já na idade adulta podem aparecer sob a forma de uma possessividade em relação ao parceiro, ou mesmo uma paranóia. Nesse tipo de paranóia, a pessoa está convencida, sem motivo justo ou evidente, da infidelidade do parceiro e passa a procurar “evidências” da traição. Nas formas mais exacerbadas, o ciumento passa a exigir do outro coisas que limitam totalmente a liberdade deste.

Os casos mais sérios devem sempre procurar a ajuda da psicoterapia; o trabalho de reorganização interior passa por um reforço da auto-estima e da valorização da auto-imagem. Em todos os casos pode ajudar-se estabelecendo um diálogo franco e aberto de encontro com o sujeito passivo, com a reflexão sobre o que sentem um pelo outro e sobre tudo o que possa levar a uma melhoria da relação, para que esse aspecto não se torne limitador e perturbador.

Um conjunto complexo e suas consequências

O ciúme é uma reacção complexa porque envolve um largo conjunto de emoções (dor, raiva, tristeza, inveja, medo, depressão e humilhação), pensamentos (ressentimento, culpa, comparação com o rival, preocupação com a imagem, autocomiseração) reacções físicas (taquicardia, falta de ar, excesso de salivação ou boca seca, sudorese, aperto no peito, dores físicas) e comportamentos (questionamento constante, busca frenética de confirmações e acções agressivas e mesmo violentas).

O ciúme, em princípio, é um sentimento tão natural ao ser humano como o tédio e a raiva: nós sempre vivenciamos este sentimento em algum momento da vida, diferindo apenas as suas razões e as emoções que sentimos. Como todos os outros sentimentos, tem o seu lado positivo e o seu lado negativo:

• O lado positivo: protege o amor: ele lembra a cada membro da relação (de namoro, conjugal ou de amizade) que nunca se deve considerar o outro como definitivamente “conquistado”, e pode encorajar um esforço consciente para assegurar que o outro se sente valorizado;

• O lado negativo: prejudica o amor: às vezes os sentimentos de ciúme podem ficar desproporcionais e pode afectar gravemente uma relação, levando o outro a sentir-se constantemente constrangido para evitar uma crise de ciúmes.

Ciúme e inveja

O ciúme está intimamente relacionado à inveja. A diferença é que a inveja não envolve o sentimento de perda presente no ciúme. Mas ambas são um misto de desconforto e raiva e atormentam aquele que cobiça algo que a outra pessoa tem. Quanto mais baixa for a auto-estima, mais propensa está a pessoa de sofrer com um dos dois sentimentos.

Tanto o ciúme quanto a inveja desviam o foco de quem os sente para longe dos cuidados com a própria vida, tão preocupado fica com a vida de outra(s) pessoa(s).

Como acontece com todos os outros sentimentos, se forem olhados com atenção e sem rejeição, podem levar a atitudes positivas como melhorar a aparência, desenvolver novas habilidades e trabalhar a auto-estima.

Como regra, diz-se que a mulher é mais propensa que o homem a sentir ciúme ou inveja de relacionamentos, enquanto que o homem é mais frequentemente atormentado por diferenças de status, de finanças e de poder.

Ciúme patológico

O ciúme patológico é visto pela psiquiatria como uma espécie de paranóia (distúrbio mental caracterizado por delírios de perseguição e pelo temor imaginário de a pessoa estar a ser vítima de conspiração). Para um ciumento, a fronteira entre imaginação, fantasia, crença e certeza torna-se vaga e imprecisa, e todas as dúvidas podem transformar-se em ideias hiper-valorizadas ou delirantes.

Aquele que sente ciúme a este nível tem a compulsão de verificar constantemente as suas dúvidas, a ponto de se dedicar exclusivamente a invadir a privacidade e tolher a liberdade do outro: abre correspondências, bisbilhota o computador, ouve telefonemas, examina bolsos, chega a seguir o outro ou até a contratar alguém para o fazer… o que não só não ameniza o mal estar da dúvida como até o intensifica.

A pessoa ciumenta apresenta na sua personalidade sentimentos de insegurança. O tratamento passa por um trabalho de psicoterapia que tenderá a melhorar a confiança em si mesmo. Só quem confia em si mesmo pode confiar em outros, de modo que é fundamental o fortalecimento da autoconfiança.


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